Insônia em adultos
Dra. Nayara Martinez · Médica psiquiatra · CRM-SP 195964 · RQE 91180
Dormir mal de vez em quando faz parte da vida. A insônia merece avaliação quando a dificuldade para começar a dormir, para manter o sono ou o despertar antes da hora se repete, mesmo com tempo e condições para descansar, e passa a pesar no dia seguinte.
O que é insônia
Insônia é a insatisfação persistente com a quantidade ou a qualidade do sono. Ela pode aparecer como dificuldade para pegar no sono, despertares durante a noite com dificuldade para voltar a dormir ou despertar antes do horário desejado. O que a diferencia de uma noite ruim é o efeito durante o dia: cansaço, menos energia, dificuldade de atenção e de memória, irritabilidade ou alteração do humor.
Ela pode durar pouco, ligada a uma fase de mudança ou de estresse, ou se tornar crônica. Nas definições clínicas atuais, fala-se em insônia crônica quando as queixas aparecem ao menos três vezes por semana, por pelo menos três meses.
Como pode aparecer na vida adulta
A insônia costuma se manter por um ciclo. A preocupação com o sono aumenta o estado de alerta à noite, e hábitos criados para compensar, como ficar mais tempo na cama, cochilar durante o dia ou usar telas até tarde, acabam reforçando a dificuldade.
Na prática, isso pode aparecer como a mente que acelera ao apagar a luz, despertares de madrugada com horas acordado, compromissos evitados por cansaço ou a necessidade crescente de remédios ou álcool para conseguir dormir. Nenhum desses sinais, sozinho, define um diagnóstico.
Quando procurar avaliação
Vale buscar uma avaliação quando:
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a dificuldade para dormir se repete na maior parte das semanas há algum tempo;
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o cansaço, a sonolência ou a falta de concentração interferem no trabalho, nos estudos, na direção ou nas relações;
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o sono mudou junto com o humor, a ansiedade ou o uso de álcool, medicamentos ou outras substâncias;
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você já usa remédio para dormir e quer revisar o tratamento ou a forma de interrompê-lo com segurança;
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ajustes na rotina não foram suficientes.
O que pode parecer insônia, ou vir junto com ela
Nem toda dificuldade para dormir é um problema isolado. Na avaliação, procuro reconhecer condições que podem causar a insônia, mantê-la ou aparecer junto com ela.
Outros problemas do sono
Apneia obstrutiva do sono (ronco alto, pausas na respiração percebidas por outra pessoa, sonolência durante o dia), síndrome das pernas inquietas, movimentos periódicos dos membros e alterações do ritmo do sono, como o hábito de dormir e acordar muito tarde ou o trabalho em turnos.
Saúde mental
A insônia aparece com frequência junto com transtornos de ansiedade e com o transtorno de estresse pós-traumático. Com a depressão, a relação é de mão dupla: a insônia pode anteceder um episódio depressivo e dificultar a resposta ao tratamento, e a depressão também piora o sono.
Condições clínicas
Dor crônica, doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e obesidade podem estar ligadas à insônia. A insônia também é mais frequente depois da menopausa.
Substâncias e medicamentos
Cafeína (café, chá, refrigerante, chimarrão), álcool, cigarro e outras substâncias entram na avaliação, assim como os medicamentos e fitoterápicos em uso, porque podem interferir no sono.
Como é a avaliação
A consulta começa pela sua história do sono: horários de deitar e levantar, quanto tempo leva para adormecer, despertares, cochilos, ambiente do quarto, rotina antes de dormir e como fica o dia seguinte. Também considero a saúde física e mental, os medicamentos em uso, o consumo de cafeína, álcool e outras substâncias e o momento de vida.
Um diário do sono preenchido por alguns dias ajuda a ver o padrão real e, depois, a acompanhar a resposta ao tratamento. O diagnóstico de insônia é clínico. A polissonografia não é feita de rotina: ela é indicada quando há suspeita de outro problema do sono, como a apneia, ou quando o tratamento não responde como esperado.
Possibilidades de cuidado
O plano é individual e depende do que mantém a insônia em cada pessoa.
A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é a abordagem recomendada pelas diretrizes brasileiras para a insônia crônica. É um método de tratamento realizado com psicólogo e reúne orientações sobre o sono, controle de estímulos, ajuste do tempo na cama, técnicas cognitivas e de relaxamento, em geral ao longo de algumas sessões, presencialmente ou on-line.
Medidas de higiene do sono fazem parte desse trabalho, mas sozinhas costumam ter efeito limitado na insônia crônica.
Quando a insônia vem junto com ansiedade, depressão, dor ou outro problema do sono, tratar essas condições faz parte do cuidado com o sono.
Medicamentos podem ser considerados em situações específicas, com objetivo e tempo definidos, e a decisão é discutida com você. Hipnóticos e benzodiazepínicos têm riscos, como dependência, quedas e comportamentos durante o sono, e por isso não são a escolha automática. Se você já usa algum desses medicamentos, não interrompa por conta própria: a retirada também precisa ser planejada.
Quando procurar ajuda imediata
O consultório não é um serviço de urgência. Em caso de risco imediato à sua segurança, acione o SAMU pelo 192 ou procure um serviço de emergência, como pronto-socorro ou UPA. Não espere por uma consulta agendada nem pela resposta do WhatsApp do consultório. Para apoio emocional, o CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia; esse apoio não substitui o atendimento de emergência.
Não é preciso esperar um sintoma específico para pedir ajuda. Pensamentos de morte ou de se machucar, dias seguidos dormindo muito pouco sem sentir cansaço junto com agitação, confusão ou mudança súbita de comportamento e suspeita de intoxicação por remédios, álcool ou outras substâncias pedem avaliação sem demora. Se estiver com muito sono, não dirija nem opere máquinas.
Dúvidas sobre insônia
Preciso de remédio para tratar a insônia?
Nem sempre. Na insônia crônica, a TCC-I é a abordagem recomendada. Medicamentos podem ter papel em situações específicas, decididos caso a caso.
Uso remédio para dormir há muito tempo. Posso parar?
Não interrompa por conta própria. A retirada de alguns medicamentos para dormir precisa ser gradual e acompanhada. A consulta pode avaliar se o tratamento ainda faz sentido e como ajustá-lo.
Insônia é sempre ansiedade ou depressão?
Não. Ela pode existir sozinha, aparecer junto com esses quadros ou indicar outro problema do sono ou uma condição clínica. A avaliação serve justamente para fazer essa distinção.
Preciso fazer polissonografia?
Nem sempre. O diagnóstico de insônia é clínico. O exame é indicado quando há suspeita de outro problema do sono, como a apneia, ou quando o tratamento não responde.
A consulta pode ser online?
Sim, por videochamada, mediante agendamento. A conduta é definida na consulta, após a avaliação clínica.
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Atendimento
Atendo adultos, a partir de 18 anos, presencialmente no consultório no Jardim Aquarius, em São José dos Campos, e online por videochamada, mediante agendamento. A consulta online segue as normas de telemedicina do Conselho Federal de Medicina. Os atendimentos são particulares, com recibo e nota fiscal para a solicitação de reembolso conforme as regras do seu plano. Veja como funciona a consulta psiquiátrica.
Conteúdo elaborado pela Dra. Nayara Martinez · Médica psiquiatra · CRM-SP 195964 · RQE 91180. Publicado em 02/10/2026. Revisado em 05/10/2026. Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação individual. Referências: Associação Brasileira do Sono, Consenso de Diagnóstico e Tratamento da Insônia em Adultos 2023; Resolução CFM 2.314/2022.