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Burnout em adultos

Dra. Nayara Martinez · Médica psiquiatra · CRM-SP 195964 · RQE 91180

 

Sentir cansaço depois de uma fase intensa de trabalho é esperado. O burnout merece avaliação quando o esgotamento se torna constante, o trabalho passa a provocar distanciamento e descrença e o rendimento cai, mesmo com esforço.

 

O que é burnout

Na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, a CID-11, o burnout é descrito como uma síndrome resultante de estresse crônico no trabalho que não foi manejado com sucesso. Ele reúne três dimensões: sensação de esgotamento de energia ou exaustão; distanciamento mental do trabalho, com negativismo ou cinismo em relação a ele; e redução da eficácia profissional.

 

A CID-11 descreve o burnout como um fenômeno ligado ao trabalho, e não como uma doença em si. O termo se refere especificamente ao contexto profissional e não deve ser usado para descrever experiências de outras áreas da vida.

 

Como pode aparecer na vida adulta

O esgotamento costuma se instalar aos poucos. Os sinais podem começar leves e se intensificar com o tempo, o que faz muitas pessoas demorarem a perceber o que está acontecendo.

 

Na prática, pode aparecer como cansaço que não melhora com o fim de semana, dificuldade de concentração, irritabilidade, sensação de incompetência, alterações do sono e do apetite, dores de cabeça ou musculares e desconfortos gastrointestinais. Nenhum desses sinais, sozinho, define um diagnóstico.

 

Quando procurar avaliação

Vale buscar uma avaliação quando:

  • o cansaço persiste mesmo depois de períodos de descanso;

  • a dificuldade de concentração ou de memória passou a afetar o trabalho e outras áreas da rotina;

  • o trabalho passou a provocar distanciamento, irritação ou descrença constantes;

  • surgiram alterações do sono, do apetite ou do humor;

  • o uso de álcool, medicamentos ou outras substâncias aumentou para conseguir desligar ou dormir.

 

Burnout, depressão e ansiedade

O esgotamento ligado ao trabalho pode se confundir com outros quadros ou aparecer junto com eles. A própria CID-11 diferencia o burnout de transtornos do humor, como a depressão, de transtornos de ansiedade, do transtorno de adaptação e de outros transtornos associados ao estresse.

 

Na avaliação, procuro fazer essa distinção e reconhecer também problemas do sono, como a insônia, e condições clínicas que podem causar cansaço. É essa distinção que orienta o cuidado.

 

Como é a avaliação

A consulta começa pela sua história: como está a rotina de trabalho, há quanto tempo o esgotamento aparece, como estão o sono, o apetite, o humor e a concentração e o que mudou em outras áreas da vida. Também considero a saúde física, os medicamentos em uso e o consumo de álcool e outras substâncias.

 

O objetivo é entender se o quadro corresponde ao burnout, a outro transtorno ou a uma combinação deles, e o que mantém o sofrimento.

 

Possibilidades de cuidado

O plano é individual e depende do que está por trás do esgotamento em cada pessoa.

 

A psicoterapia é parte importante do cuidado. É um método de tratamento realizado com psicólogo e ajuda a compreender a relação com o trabalho, as exigências e os limites de cada um.

 

Quando há depressão, ansiedade ou insônia associadas, tratar essas condições faz parte do cuidado. Medicamentos podem ser considerados quando há indicação clínica, e a decisão é discutida com você.

 

Sono, atividade física, lazer e uma rotina com espaço para descanso também fazem parte do cuidado. A conduta é definida na consulta, após a avaliação clínica.

 

Quando procurar ajuda imediata

O consultório não é um serviço de urgência. Em caso de risco imediato à sua segurança, acione o SAMU pelo 192 ou procure um serviço de emergência, como pronto-socorro ou UPA. Não espere por uma consulta agendada nem pela resposta do WhatsApp do consultório. Para apoio emocional, o CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia; esse apoio não substitui o atendimento de emergência.

 

Não é preciso esperar um sintoma específico para pedir ajuda. Pensamentos de morte ou de se machucar, desesperança intensa, mudança súbita de comportamento e suspeita de intoxicação por remédios, álcool ou outras substâncias pedem avaliação sem demora.

 

Dúvidas sobre burnout

Burnout é doença?

Na CID-11, o burnout é descrito como um fenômeno ligado ao trabalho, e não como uma doença em si. Isso não diminui o sofrimento: o esgotamento merece atenção, e a avaliação também verifica se há outro transtorno associado.

 

Burnout e depressão são a mesma coisa?

Não. Os dois podem ter sinais em comum, como cansaço e desânimo, mas são quadros diferentes e podem aparecer juntos. A avaliação serve justamente para fazer essa distinção.

 

Preciso esperar os sintomas piorarem para procurar ajuda?

Não. A orientação é buscar avaliação já nos primeiros sinais, antes que o esgotamento se aprofunde.

 

A consulta pode ser online?

Sim, por videochamada, mediante agendamento. A conduta é definida na consulta, após a avaliação clínica.

 

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Atendimento

Atendo adultos, a partir de 18 anos, presencialmente no consultório no Jardim Aquarius, em São José dos Campos, e online por videochamada, mediante agendamento. A consulta online segue as normas de telemedicina do Conselho Federal de Medicina. Os atendimentos são particulares, com recibo e nota fiscal para a solicitação de reembolso conforme as regras do seu plano. Veja como funciona a consulta psiquiátrica.

 

Conteúdo elaborado pela Dra. Nayara Martinez · Médica psiquiatra · CRM-SP 195964 · RQE 91180. Publicado em 02/10/2026. Revisado em 05/10/2026. Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação individual. Referências: Organização Mundial da Saúde, CID-11 (QD85 Burnout); Ministério da Saúde, Síndrome de Burnout; Resolução CFM 2.314/2022.

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