Repetir escolhas: por que saber não é sempre suficiente para mudar?
“Eu sei que faço isso.” A frase aparece com frequência quando alguém começa a reconhecer um padrão que se repete.
A pessoa percebe que entra em relações parecidas, reage da mesma maneira diante de conflitos, adia determinadas escolhas ou volta a ocupar posições que já lhe trouxeram sofrimento. Ainda assim, perceber não produz automaticamente uma mudança.
Existe diferença entre informação e elaboração
Saber intelectualmente que um comportamento faz mal pode ser relativamente rápido. Compreender o lugar que ele ocupa na própria história costuma exigir outro tempo.
Certos modos de agir não permanecem porque a pessoa desconhece suas consequências. Eles podem organizar vínculos, proteger de angústias, preservar imagens de si ou oferecer soluções conhecidas para situações emocionalmente complexas.
O conhecido pode ser desconfortável e ainda assim parecer mais seguro
Por isso, a repetição não precisa ser entendida como falta de inteligência ou vontade. Às vezes, abandonar uma resposta antiga exige tolerar algo que ela ajudava a evitar.
Na perspectiva psicanalítica, interessa menos ordenar que a pessoa simplesmente faça diferente e mais investigar por que aquele caminho se torna novamente possível — e o que se mantém através dele.
Uma mudança consistente talvez comece quando a pergunta deixa de ser apenas “por que faço isso?” e passa a incluir “o que esse modo de fazer resolve para mim, mesmo quando também me custa?”.




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