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Ambivalência: é possível desejar e recuar ao mesmo tempo?

há 5 dias
1 min de leitura

É possível querer uma mudança e sentir falta do que existia antes. Amar alguém e, ao mesmo tempo, desejar distância. Escolher um caminho e imaginar como seria ter seguido o outro.

Essas experiências podem parecer incoerentes quando esperamos que um desejo verdadeiro seja sempre claro, estável e sem contradições.

A vida psíquica não funciona como uma votação simples

Sentimentos opostos podem coexistir sem que um deles seja necessariamente falso. Vínculos importantes, decisões e transições costumam mobilizar ganhos e perdas simultaneamente.

A tentativa de eliminar toda contradição antes de agir pode levar a uma busca interminável por certeza.

Ambivalência não é o mesmo que incapacidade de escolher

Em alguns casos, a dúvida realmente paralisa e merece ser compreendida. Em outros, a pessoa já escolheu, mas espera que a escolha apague imediatamente tudo aquilo a que precisou renunciar.

Aceitar a existência de sentimentos contraditórios pode ser mais difícil do que encontrar argumentos para um dos lados. Exige sustentar que desejar algo não impede que uma parte de nós também lamente o que ficará para trás.

Talvez maturidade emocional não signifique sentir apenas aquilo que combina com nossas decisões, mas conseguir reconhecer a complexidade do que sentimos sem transformar cada contradição em prova de que escolhemos errado.

 
 
 

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