Ambivalência: é possível desejar e recuar ao mesmo tempo?
É possível querer uma mudança e sentir falta do que existia antes. Amar alguém e, ao mesmo tempo, desejar distância. Escolher um caminho e imaginar como seria ter seguido o outro.
Essas experiências podem parecer incoerentes quando esperamos que um desejo verdadeiro seja sempre claro, estável e sem contradições.
A vida psíquica não funciona como uma votação simples
Sentimentos opostos podem coexistir sem que um deles seja necessariamente falso. Vínculos importantes, decisões e transições costumam mobilizar ganhos e perdas simultaneamente.
A tentativa de eliminar toda contradição antes de agir pode levar a uma busca interminável por certeza.
Ambivalência não é o mesmo que incapacidade de escolher
Em alguns casos, a dúvida realmente paralisa e merece ser compreendida. Em outros, a pessoa já escolheu, mas espera que a escolha apague imediatamente tudo aquilo a que precisou renunciar.
Aceitar a existência de sentimentos contraditórios pode ser mais difícil do que encontrar argumentos para um dos lados. Exige sustentar que desejar algo não impede que uma parte de nós também lamente o que ficará para trás.
Talvez maturidade emocional não signifique sentir apenas aquilo que combina com nossas decisões, mas conseguir reconhecer a complexidade do que sentimos sem transformar cada contradição em prova de que escolhemos errado.




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